A discussão sobre o Piso dos profissionais da educação ganhou um novo capítulo no Senado Federal. O Projeto de Lei nº 2531/2021, que prevê a criação de um piso salarial nacional para os profissionais técnicos e administrativos da educação básica, avançou na tramitação legislativa com sua aprovação na Comissão de Educação do Senado.
A notícia representa um avanço importante para milhares de trabalhadores que atuam diariamente nas escolas públicas brasileiras, mas existe um detalhe que precisa ser esclarecido: a aprovação na Comissão de Educação não significa que o projeto foi definitivamente aprovado pelo Congresso Nacional, muito menos que o novo piso já esteja valendo.
O PL 2531/2021 ainda precisa cumprir as etapas restantes de sua tramitação para que possa se transformar em lei. Por isso, profissionais como agentes de organização escolar, secretários de escola, auxiliares administrativos e outros trabalhadores das áreas técnicas e administrativas precisam acompanhar os próximos passos com atenção.
A proposta reacende uma discussão antiga dentro da educação pública: a valorização não deve alcançar somente os profissionais que estão em sala de aula, mas também aqueles que garantem o funcionamento das escolas todos os dias.

Piso dos profissionais da educação: o que foi aprovado no Senado em 3 de novembro?
A aprovação aconteceu nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, durante a 37ª reunião extraordinária da Comissão de Educação e Cultura do Senado Federal.
O parecer favorável foi apresentado pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI), relator da proposta. Os integrantes da comissão aprovaram o relatório, que passou a constituir o parecer favorável ao projeto.
Com essa decisão, o PL 2531/2021 venceu mais uma etapa importante, mas não encerrou sua tramitação.
De acordo com o registro oficial da reunião, o próximo destino do projeto é a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde serão analisados os aspectos econômicos e financeiros da proposta. Senado Federal+1
Esse detalhe é fundamental para compreender a notícia. A aprovação na Comissão de Educação demonstra que a proposta recebeu parecer favorável nessa etapa, mas ainda não representa a aprovação definitiva pelo Senado.
O que significa essa aprovação?
Na prática, os senadores da Comissão de Educação concordaram com o parecer favorável apresentado pelo relator.
Isso significa que o projeto poderá continuar avançando dentro do Senado, seguindo o caminho legislativo previsto.
É importante diferenciar três situações:
- Parecer favorável: a comissão manifesta apoio ao conteúdo do projeto.
- Aprovação definitiva pelo Congresso: ocorre depois de cumpridas as votações e etapas legislativas necessárias nas duas Casas.
- Sanção presidencial: depois da aprovação legislativa, o texto segue para análise do presidente da República, que poderá sancioná-lo ou vetá-lo, conforme as regras constitucionais.
Portanto, embora a notícia seja positiva para os trabalhadores da educação, ainda não é possível afirmar que o Piso dos profissionais da educação está garantido ou que os pagamentos começarão imediatamente.
Quem poderá ser beneficiado pelo Piso dos profissionais da educação?
O PL 2531/2021 tem como objetivo estabelecer um piso salarial nacional para os trabalhadores da educação básica pública que exercem funções de apoio administrativo, técnico ou operacional.
Essa definição é importante porque a proposta não foi criada exclusivamente para professores. Ela busca alcançar profissionais que trabalham nos bastidores das unidades escolares e que também são fundamentais para o funcionamento da rede pública de ensino.
Entre as funções que podem estar contempladas pela proposta estão:
- Agentes de organização escolar;
- Secretários de escola;
- Merendeiras e profissionais da alimentação escolar;
- Auxiliares de limpeza;
- Trabalhadores de apoio administrativo;
- Profissionais de apoio técnico;
- Porteiros e trabalhadores de apoio operacional;
- Outros profissionais enquadrados nas funções previstas no projeto.
A lista acima apresenta exemplos de atividades relacionadas ao apoio escolar. O enquadramento efetivo dependerá das regras legais e da identificação das funções abrangidas pelo texto aprovado.
Para os servidores das redes estaduais e municipais, a discussão é especialmente relevante porque existe uma grande diversidade de cargos, nomenclaturas e planos de carreira.
No Estado de São Paulo, por exemplo, os Agentes de Organização Escolar (AOE) acompanham diariamente a rotina das unidades, atendem estudantes e responsáveis, organizam procedimentos administrativos e colaboram para que a escola funcione adequadamente.
Por isso, o debate sobre o Piso dos profissionais da educação também desperta interesse entre os servidores da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEDUC-SP).
Qual será o valor do Piso dos profissionais da educação?
Uma das principais dúvidas dos trabalhadores é quanto poderão receber caso o projeto seja aprovado definitivamente.
A proposta estabelece uma referência equivalente a 75% do piso salarial nacional do magistério público da educação básica, considerando os profissionais com formação em nível médio e jornada de até 40 horas semanais.
Isso significa que o valor não é necessariamente uma quantia fixa e isolada. Ele acompanha a referência do piso nacional dos professores.
A regra proposta também prevê proporcionalidade para jornadas inferiores a 40 horas semanais.
| Critério | Previsão do projeto |
|---|---|
| Referência salarial | 75% do piso nacional do magistério |
| Formação considerada | Nível médio |
| Jornada de referência | Até 40 horas semanais |
| Jornada inferior | Valor proporcional |
| Abrangência | Profissionais de apoio da educação básica pública |
Atenção: os 75% representam a referência prevista na proposta, e não um reajuste que já possa ser exigido pelos servidores.
Também é necessário acompanhar o texto legislativo atualizado, pois o documento original apresentado em 2021 não deve ser confundido com a versão que avançou pelas comissões da Câmara e chegou ao Senado.
O texto inicial, apresentado pela deputada Rose Modesto em 13 de julho de 2021, estabelecia um valor nominal de R$ 2.164,68, com atualização anual pela inflação. Entretanto, essa não é a referência que deve ser utilizada para calcular o valor atual da proposta.
A referência de 75% do piso do magistério é a informação que consta na apresentação oficial do Senado sobre a proposta atualmente em tramitação
Piso dos profissionais da educação pode chegar a R$ 3.847,97 em 2026
Um dos pontos que mais chamaram a atenção após a aprovação na Comissão de Educação foi a possibilidade de o novo piso alcançar R$ 3.847,97.
O cálculo considera o piso nacional do magistério de 2026, informado pelo Senado em R$ 5.130,63. Aplicando os 75% previstos na proposta, chega-se ao seguinte resultado:

O que falta para o Piso dos profissionais da educação virar lei?
Essa é provavelmente a informação mais importante para quem acompanha o PL 2531/2021.
Depois da aprovação na Comissão de Educação e Cultura, o projeto segue para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
A análise nessa comissão terá uma importância especial porque a criação de um piso nacional envolve despesas para estados, municípios e União.
Veja como está o caminho da proposta:

Conclusão: avanço importante, mas ainda não é aprovação definitiva
A aprovação do PL 2531/2021 na Comissão de Educação e Cultura do Senado Federal, em 3 de novembro de 2026, representa um avanço importante para os profissionais que trabalham nas áreas administrativas, técnicas e operacionais da educação básica pública.
A proposta busca estabelecer uma referência nacional de remuneração equivalente a 75% do piso do magistério, contemplando trabalhadores que historicamente reivindicam maior reconhecimento dentro das redes públicas de ensino.
Para os Agentes de Organização Escolar, secretários, merendeiras, auxiliares de limpeza e demais profissionais de apoio, o resultado renova a expectativa de valorização salarial.
Entretanto, é fundamental reforçar: o Piso dos profissionais da educação ainda não foi aprovado definitivamente e não está em vigor.
O projeto segue para a Comissão de Assuntos Econômicos e ainda precisa cumprir as etapas restantes no Senado e, posteriormente, passar pela análise presidencial.
A aprovação desta terça-feira é uma conquista importante na tramitação, mas a pergunta que permanece é: quando essa proposta finalmente se transformará em uma realidade para quem trabalha diariamente nas escolas brasileiras?
Os próximos capítulos serão fundamentais para responder a essa questão.
