A nova versão do Currículo Paulista Ensino Médio entrou em consulta pública em 2026 e apresenta uma atualização que interessa diretamente a professores, gestores, estudantes e famílias. O documento não propõe simplesmente abandonar a versão de 2020. A ideia é aperfeiçoar a referência curricular diante da Lei nº 14.945/2024, das novas Diretrizes Curriculares Nacionais e de outros marcos recentes.
O Currículo Paulista Ensino Médio reforça a articulação entre Formação Geral Básica (FGB) e Itinerários Formativos, amplia o espaço da Educação Digital e Midiática e coloca em evidência temas como justiça curricular, equidade, permanência com aprendizagem e proteção das trajetórias escolares.
Um cuidado importante: o arquivo analisado é uma versão em consulta pública. O próprio texto informa que as contribuições recebidas serão analisadas e poderão subsidiar ajustes antes da consolidação. Portanto, o conteúdo apresentado ainda não deve ser confundido com uma versão definitiva.

Currículo Paulista Ensino Médio: o que está sendo atualizado?
A atualização preserva princípios da edição de 2020, mas incorpora as mudanças decorrentes da legislação mais recente. O documento cita, entre outros referenciais, a Lei nº 14.945/2024, a Resolução CNE/CEB nº 2/2024, a Resolução CNE/CEB nº 4/2025 e normas estaduais.
O ponto central do Currículo Paulista Ensino Médio é tornar mais clara a relação entre as aprendizagens que todos devem desenvolver e os percursos de aprofundamento oferecidos ao longo da etapa.
A nova referência de carga horária
A organização apresentada prevê 2.400 horas mínimas de Formação Geral Básica e 600 horas mínimas de Itinerários Formativos de Aprofundamento, chegando a pelo menos 3.000 horas nos três anos.
| Parte do Ensino Médio | Carga horária mínima |
|---|---|
| Formação Geral Básica | 2.400 horas |
| Itinerários de Aprofundamento | 600 horas |
| Total | 3.000 horas |
No Currículo Paulista Ensino Médio, FGB e itinerários não aparecem como currículos independentes. O documento trata os dois como componentes complementares de uma mesma formação.
O que permanece como base do Currículo Paulista Ensino Médio?
A Educação Integral continua como fundamento. Também permanecem a organização por áreas do conhecimento, o desenvolvimento de competências e habilidades, a valorização das juventudes, o protagonismo estudantil e a articulação entre ciência, cultura, tecnologia e trabalho.
O Currículo Paulista Ensino Médio mantém, portanto, uma concepção de formação que vai além da preparação para provas. O estudante é considerado em diferentes dimensões, incluindo aspectos intelectual, social, cultural, ético, físico e socioemocional.
A escola também é compreendida como espaço de aprendizagem para além da sala de aula, incluindo ambientes culturais, científicos, esportivos, comunitários e digitais.
Como fica a Formação Geral Básica?
A FGB deve assegurar a todos os estudantes as aprendizagens essenciais previstas na BNCC, organizadas por áreas do conhecimento. O texto destaca progressão ao longo dos três anos, interdisciplinaridade, equidade e respeito às especificidades das diferentes modalidades.
As quatro áreas são:
| Área do conhecimento | Componentes |
|---|---|
| Linguagens e suas Tecnologias | Língua Portuguesa, Arte, Educação Física e Língua Inglesa |
| Matemática e suas Tecnologias | Matemática |
| Ciências da Natureza e suas Tecnologias | Biologia, Física e Química |
| Ciências Humanas e Sociais Aplicadas | Filosofia, Geografia, História e Sociologia |
O Currículo Paulista Ensino Médio esclarece que a organização por áreas não elimina os componentes. A proposta é favorecer o diálogo entre eles e ampliar abordagens interdisciplinares.
Por exemplo, em um estudo sobre mudanças climáticas, Ciências da Natureza pode trabalhar os processos ambientais; Ciências Humanas, os impactos sociais e territoriais; Matemática, os dados; e Linguagens, a comunicação sobre o problema.
Itinerários Formativos ganham nova organização
O Currículo Paulista Ensino Médio apresenta dois tipos de itinerários: os Itinerários Formativos de Aprofundamento (IFA) e os Itinerários de Formação Técnica e Profissional (IFTP).
Os IFA são voltados ao aprofundamento em uma ou mais áreas do conhecimento. O documento chama atenção para uma diferença importante: a ênfase está no aprofundamento, e não simplesmente na diversificação de atividades.
Isso significa que o itinerário deve ampliar a complexidade conceitual, aproximar teoria e prática e trabalhar com interdisciplinaridade, problemas relevantes e situações relacionadas aos territórios e aos projetos dos estudantes.
Quatro eixos estruturantes
Os IFA são organizados a partir de quatro eixos:
- Método, Conhecimento e Ciência;
- Mediação e Intervenção Sociocultural;
- Inovação e Intervenção Tecnológica;
- Mundo do Trabalho e Transformação Social.
Esses eixos envolvem investigação científica, intervenção social, inovação tecnológica e aproximação com o mundo do trabalho.
O Currículo Paulista Ensino Médio também permite itinerários integrados que articulem duas, três ou quatro áreas, conforme as possibilidades legais e a organização das redes.
E a formação técnica e profissional?
O IFTP é apresentado como uma possibilidade diferente dos IFA, mas deve permanecer articulado à Formação Geral Básica.
O Currículo Paulista Ensino Médio estabelece referências específicas para a formação técnica. Cursos de 800 horas devem ser articulados a pelo menos 2.200 horas de FGB. Cursos de 1.000 ou 1.200 horas devem ser articulados a pelo menos 2.100 horas de FGB.
| Curso técnico | FGB mínima indicada |
|---|---|
| 800 horas | 2.200 horas |
| 1.000 horas | 2.100 horas |
| 1.200 horas | 2.100 horas |
A organização deve integrar conhecimentos gerais e profissionais, teoria e prática, ciência, tecnologia, cultura e trabalho, observando também o perfil profissional de conclusão e os parâmetros do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos.
Educação Digital e Inteligência Artificial entram com mais força
Um dos capítulos que mais chama atenção no Currículo Paulista Ensino Médio é o dedicado à Educação Digital e Midiática.
A proposta vai além do uso de computador ou plataforma. O estudante deve desenvolver capacidade de analisar informações, produzir conteúdos, colaborar, resolver problemas, participar da cultura digital e compreender os impactos das tecnologias.
A Inteligência Artificial aparece expressamente no documento. A orientação é utilizar essas ferramentas com mediação e intencionalidade pedagógica, valorizando a autoria humana.
Também são destacados temas como privacidade, proteção de dados, direitos autorais, segurança digital, desinformação, cyberbullying, vieses e impactos sociais, éticos e ambientais.
No Currículo Paulista Ensino Médio, portanto, a discussão sobre IA não fica restrita à pergunta sobre permitir ou proibir determinada ferramenta. O foco está também em ensinar o estudante a analisar criticamente aquilo que é produzido por sistemas automatizados.
Projeto de Vida não é apenas escolher uma profissão
No Currículo Paulista Ensino Médio, Projeto de Vida é tratado como uma construção permanente. Não se limita à escolha profissional.
A proposta considera dimensões pessoais, familiares, comunitárias e profissionais, além da continuidade dos estudos e da participação social.
As condições econômicas, culturais, familiares e territoriais também influenciam as oportunidades disponíveis aos jovens.
Por isso, a escola deve ampliar repertórios, apresentar possibilidades e apoiar escolhas, sem colocar exclusivamente sobre o estudante a responsabilidade pelas condições que afetam sua trajetória.
A transição do 9º ano para o Ensino Médio ganha destaque
Outro ponto relevante do Currículo Paulista Ensino Médio é a passagem do Ensino Fundamental para o Ensino Médio.
A proposta entende que essa transição não deve ser uma ruptura. Conhecimentos e habilidades desenvolvidos anteriormente precisam ser retomados, consolidados, aprofundados e ampliados.
O documento sugere articulação entre profissionais das duas etapas, diálogo com estudantes e famílias, análise das evidências de aprendizagem, acolhimento e identificação das aprendizagens que precisam ser retomadas.
Isso pode ter impacto direto no planejamento escolar: a chegada à 1ª série precisa considerar trajetórias diferentes, em vez de presumir que todos os estudantes começam o Ensino Médio no mesmo ponto.
Avaliação passa a ser vista como parte da gestão da aprendizagem
O Currículo Paulista Ensino Médio trabalha com avaliação diagnóstica, formativa e somativa. A ideia é que avaliar não seja apenas atribuir uma nota, mas produzir informações para orientar o ensino.
O monitoramento contínuo permite identificar dificuldades e a recomposição transforma essas evidências em intervenções pedagógicas.
Assim, os resultados podem ajudar a decidir o que precisa ser retomado, aprofundado ou trabalhado de outra maneira.
Essa lógica está ligada ao planejamento docente, à avaliação institucional, à permanência e à aprendizagem dos estudantes.
Ensino Médio noturno terá atenção às condições dos estudantes
O Currículo Paulista Ensino Médio dedica espaço específico ao Ensino Médio noturno. O documento reconhece que muitos estudantes desse turno são trabalhadores ou possuem trajetórias escolares diversificadas.
Entre os desafios estão conciliar estudo e trabalho, a menor disponibilidade para atividades no contraturno e a limitação da carga horária presencial diária.
A proposta mantém a necessidade de integralizar 3.000 horas. A Educação Mediada por Tecnologia poderá ser utilizada excepcionalmente para apoiar essa organização, mas a oferta do Ensino Médio permanece prioritariamente presencial.
Quando houver uso de tecnologia, devem ser preservados o acompanhamento docente, o registro de participação, a avaliação e a integração com as atividades presenciais.

Inclusão e diversidade aparecem de forma transversal
O documento inclui Educação Especial, Educação Escolar Indígena, Educação do Campo, Educação Escolar Quilombola, educação em espaços de privação de liberdade, EJA e Educação das Relações Étnico-Raciais.
Também aparecem Direitos Humanos, convivência democrática, Educação Ambiental, sustentabilidade, prevenção de violências e Educação Digital e Midiática.
No Currículo Paulista Ensino Médio, esses temas não devem ficar restritos a atividades isoladas. A proposta é que atravessem áreas, componentes, projetos e práticas pedagógicas.
O que muda para quem trabalha na escola?
Para professores e equipes gestoras, o Currículo Paulista Ensino Médio pode ser entendido como uma referência para reorganizar o olhar sobre planejamento, acompanhamento e integração curricular.
Entre os pontos que merecem atenção estão:
- articular FGB e itinerários;
- acompanhar a progressão das aprendizagens;
- utilizar avaliações para orientar intervenções;
- fortalecer a interdisciplinaridade;
- considerar as diferentes juventudes;
- integrar educação digital ao ensino;
- planejar a transição entre etapas;
- trabalhar Projeto de Vida de maneira ampla;
- considerar acessibilidade e inclusão;
- acompanhar permanência, aprendizagem e conclusão.
O documento também indica que a integração curricular exige planejamento coletivo e condições institucionais, não devendo depender apenas de iniciativas individuais de professores.
Consulta pública: por que isso importa?
A versão de 2026 ainda está em consulta pública. Isso significa que a leitura do Currículo Paulista Ensino Médio deve levar em conta seu caráter provisório.
Segundo a apresentação, professores, gestores, estudantes, famílias e outros interessados podem participar. As contribuições serão sistematizadas e analisadas e poderão subsidiar ajustes antes da versão final.
Para quem acompanha a educação paulista, existem duas etapas diferentes: conhecer o conteúdo atualmente proposto e acompanhar o que será mantido, alterado ou incorporado na consolidação posterior.
O próprio documento informa que a atualização de 2026 pretende aperfeiçoar a versão de 2020, e não simplesmente substituí-la por uma proposta sem relação com o currículo anterior.
FAQ – Currículo Paulista Ensino Médio
O que é o Currículo Paulista Ensino Médio?
É a referência curricular para a etapa do Ensino Médio no Sistema de Ensino do Estado de São Paulo. A versão analisada é a proposta de atualização colocada em consulta pública em 2026.
O documento de 2026 já é definitivo?
Não. O texto informa que as contribuições da consulta pública ainda serão analisadas e poderão subsidiar ajustes.
Qual será a carga horária mínima?
A proposta estabelece 3.000 horas, sendo 2.400 horas de Formação Geral Básica e 600 horas de Itinerários Formativos de Aprofundamento.
Quais são as áreas do conhecimento?
Linguagens e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.
Quais itinerários aparecem no documento?
Itinerários Formativos de Aprofundamento e Itinerários de Formação Técnica e Profissional. Também são admitidos arranjos integrados dentro das possibilidades previstas.
O Projeto de Vida será somente profissional?
Não. No Currículo Paulista Ensino Médio, a proposta considera dimensões pessoais, familiares, comunitárias e profissionais, além de continuidade dos estudos e participação social.
A Inteligência Artificial foi incluída?
Sim. O documento aborda IA, autoria humana, mediação docente, análise crítica, privacidade, dados, vieses e impactos sociais, éticos e ambientais.
O Ensino Médio noturno poderá usar tecnologia?
Sim, mas a Educação Mediada por Tecnologia aparece como possibilidade excepcional e articulada às atividades presenciais.
